Coisas do algoritmo #1
Macacadas do divórcio
Eu sei por que razão o algoritmo me mostra estas coisas. Sou pobre e também forreta e por isso ando constantemente à procura de treinos e dicas para fazer exercício em casa, então é natural que o estúpido artificial conclua que eu quero ver pessoas a flectir músculos para a câmara. Não quero. Eu quero treinos, com planos de exercícios, grátis (de preferência). Mas enfim, deve ser porque entra tudo na categoria do fitness e malta bombada.
Nos últimos dias têm-me aparecido contas de pessoas que, depois de divorciadas, ficaram um traço. Homens e Mulheres. Mesmo boas. Esculpidas, sensuais, fisicamente resolvidas.
Como é que sei que estão divorciadas? Porque essa é a premissa do vídeo que me aparece: como fiquei depois do divórcio. Segue-se uma panóplia de fotos de antes e depois em que, num passado de matrimónio, a pessoa estava afetada por todo o mal, com excesso de peso, mau cabelo, má cara, pouca vontade, um farrapo e, depois do divórcio, epifanou-se (por certo esta palavra não existe), ficou em forma (um físico invejável), o cabelo arranjado (ou com cabelo que não tinha) e está finalmente feliz.
Parece-me (noto que me parece, mas pode não ser) que a ideia é aquela coisa de esfregar na cara do/a ex o que tal pessoa perdeu, mas esse raciocínio é totalmente falacioso. Acima de tudo porque o/a ex não perdeu esta pessoa linda e resolvida, o/a ex perdeu a pessoa mal cuidada, desinteressada e (possivelmente) infeliz que estava nas primeiras fotografias. Esta pessoa maravilhosa que agora aparece não existia. Por isso o/a ex não perdeu nada disso. Depois há a questão do valor que se dá à manutenção de um relacionamento. Enquanto estavam casados não valia (aparentemente) a pena fazer um esforço por estar melhor, mas, depois de divorciado/a, para fazer ver o que perdeu, já vale. Não entendo esta lógica. E, se a ideia não é essa, mas a de que finalmente a pessoa está livre para cuidar de si, então, a menos que tenha estado numa relação de opressão e violência psicológica, parece-me frágil o argumento de que não cuidava de si porque a outra pessoa a retraía.
A minha vontade é dizer à pessoa do vídeo: amigo/amiga, o/a teu/tua ex não perderam nada do que estás a mostrar agora. Perderam o que estava antes. Se é mau que essa pessoa tenha terminado um relacionamento por uma razão superficial, é igualmente fútil correr para concertar exatamente isso. Passa também a ideia de que, para aquela pessoa, enquanto estiveram casados, qualquer palha servia para o/a outro/a porque não era preciso sequer sedução, atração, como se isso estivesse inerente no contrato que assinaram. Mas, agora que se deixaram, agora vai ver o que perdeu.
Para mim, nestes casos, a ideia que me fica é que aquele casamento nunca poderia funcionar, porque já não estavam na mesma página há muito tempo. Pode ser só porque naquele momento da vida querem coisas muito diferentes, caminhos diferentes que os levam a ser pessoas diferentes.
Não sou ninguém para falar de divórcio porque nunca passei por ele, mas não me imagino a mudar quem sou para fazer com que outra pessoa sinta que perdeu alguma coisa. A pessoa que eu seria no momento da quebra da relação não seria certamente a mesma que cresceria para ser seis meses depois. Em calhando, depois de me resolver, a pessoa que o outro encontraria em mim já nem iria querer estar com tal companheiro.
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Muito bom. Eu malho pra caraças no ginásio quase numa base diária e não consigo ficar bombado como queria. 😅
Mas também é verdade que não me divorciei.