Mamografia
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Fazer uma mamografia é a única coisa para a qual ter mamas grandes constitui uma vantagem.
Eu sempre preferi mamas pequenas, não nas outras pessoas, que não uso as mamas das outras pessoas, mas em mim, era isso que eu gostava de ter. Se pudesse fazer com as mamas o que faço com a barriga, era cinco estrelas. Prendia a respiração (ou limitava) e as mamas vinham 50% para dentro, o que facilitaria bastante correr para os transportes e abotoar camisas com o meu número certo sem ficar a parecer que o tórax está em combate constante com os têxteis.
Mas portanto, no que ao exame diz respeito, que é o tema em mãos, a pessoa chega-se ao aparelho, num à vontade contido, já que entra vestido da cintura para baixo, mas em tronco nu, estilo cobói armado com tetas, e, quando a técnica pede para colocar a mama na prateleira, a pessoa pega na chicha e zabum, arreia ali com meio quilo de bife. O que, parecendo que não, dá à profissional de saúde material para manusear para efeitos de avaliação clínica, sem ter de repuxar e esticar um nadinha aqui ou ali. Está ali um naco com três centímetros de altura, maneiras que agora faça a sua magia sem esforço.
A pessoa sai do gabinete com um bem-estar médio, já que é triste seguir com as pendurezas a dar a dar, mas pelo menos sabe que contribuiu para facilitar um pouco a vida de alguém cujo dia a dia é ajeitar mamas entre duas bandejas acrílicas e carregar num botão para que um robot tire selfies com a paciente.



Eu sempre me senti como um trabalho extra para as senhoras da mamografia (um trabalho pesado, pun intended), mas vou passar a assumir a tua perspectiva. Se conseguir, que isto são muitos anos de mal estar interiorizado.
Visto com humor, mas é mesmo assim! Muito bom!