Semana 2, Junho, 2026
Tenho pouco para dizer, não cozinhei nenhuma iguaria (o que é triste) e não fiz nada de especial (para além de existir)

Anotações
#1 Almocei em família, mas depois lanchei em família também, porque o almoço se arrastou e de repente havia caracóis na mesa.
#2 Comi mais brigadeiro do que devia.
#3 Fui ver o Verificando de você é humano, espetáculo de stand up do RAP. Confesso que esperava mais. Não havia novidade, no conteúdo, na forma ou na perspectiva. Pareceu-me encontrar pouco esforço e dedicação no que foi preparado. Vejo muitos espetáculos de stand up (muitos mesmo) e quanto mais fácil parece ser para o comediante, sabemos que mais trabalho teve. Aquele fácil é afinação de horas a dizer as mesmas piadas, a ajustá-las, reescrevê-las. É prática. Tanta que depois “parece fácil”. Mas houve esforço, foi o que senti, ele fez um esforço para estar ali. Não parecia satisfeito. Nós fizemos um esforço por acompanhar e esperar que melhorasse até que acabou. Queria mesmo muito que tivesse sido um grande espetáculo, porque gosto muito dele e porque sei que tem mais para dar. Mas pareceu-me que se limitou, por regras auto impostas e certamente por constrangimentos contratuais.
#4 Como a vida gosta de me dar nas trombas, depois de eu escrever a minha opinião sobre o espetáculo do RAP, cruzei-me com ele no Colombo. Ou seja, acompanho a carreira deste humorista há mais de 20 anos, desde que um certo lenhador foi violado. Ouço podcasts, leio os livros, vejo os programas, ouço as rubricas, sempre encantadíssima. Mais, vou ao Colombo (por constrangimentos profissional, já que não gosto desse Centro Comercial), pelo menos duas vezes por semana. Nunca esbarrei em tal pessoa. Então, como não gostei assim tanto de uma coisa que ele fez, pumbas, o homem aparece-me à frente pela primeira vez na minha vida (e em princípio na dele também). Eu não sei quem é o vosso gestor de karma, mas o meu, em princípio, é um filho da puta.
#5 Persegue-me a ideia de que, se criasse uma conta de Instagram, que alimentaria todos os dias com textos, graças, frases, pequenos contos, conseguiria chegar a mais leitores (entenda-se seguidores, convertidos em subscritores, convertidos em leitores). Mas as plataformas estão saturadas de contas com coisas escritas e eu, que não gosto de drama, não tenho estofo para escrever sobre a positividade e perco a tesão perante o conceito de obrigação, fico sem vontade de escrever, criar ou inventar ao fim do terceiro dia. Contas só com palavras ou já são grandes, ou são de pessoas que conhecem pessoas que chegam a outras pessoas que chegam a muita gente, ou precisam de posts patrocinados. E eu, que trabalho todos os dias para pagar as contas, sinto alguma dor em aplicar o meu dinheirinho sofrido numa atividade que não me dá assim tanto prazer.
Isto para dizer que no ano passado criei uma segunda conta de Instagram que se destinava a frases parvas, fartei-me depressa; depois pensei em pôr lá receitas, mas fartei-me depressa porque à data de hoje as contas de receitas têm de ter vídeos em que os ovos entram a deslizar, a farinha é atirada e alguém aperta as nalgas à massa; depois achei (ideia mais recente) que a devia usar como conta de Instagram aqui da Newsletter, onde colocaria um texto diariamente, num exercício sanguinário de escrita. Ao terceiro dia já estava a morrer, porque queria escrever outras coisas que não se encaixavam ali.
Matei a conta. Agora tenho só a minha, em nome próprio. Com essa beleza de nome.
#6 Não sei se só acontece comigo, mas, quando há feriados a meio da semana, esse dia sabe-me a sábado e, quando no dia seguinte tenho de trabalhar, ergo-me de meu leito com uma revolta imensa, a revolta de um corpo que acredita estar a ser sacrificado com trabalho ao domingo (nota: sei que há muitas pessoas que trabalham ao fim de semana e que estão habituadas a esta rotatividade. Não é o meu caso. Já trabalhei muitos fins de semana, mas há 17 anos que tal não faz parte da minha realidade, por isso é normal que o corpo estranhe).
#7 Estou convencida de que o jovem que fez uma parte da Marginal em contramão é familiar do tipo da bomba ou estava a ser perseguido pelo tipo da bomba. Lembram-se do tipo da bomba? Este.
Leituras e visionamentos
Ando lerda nas leituras e por isso ainda vou a meio da Autobiografia da minha mãe (de Jamaica Kincaid), mas avanço desde já que é muito bom.
Quanto a coisas televisivas, estou a meio da temporada 2 do Quatro Estações. Sou apaixonada pela Tina Fey (sem saber bem explicar porquê, já que, apesar de reconhecer que é brilhante na escrita, não acho que seja a pessoa mais engraçada no mundo do humor).
Esta segunda temporada está igualmente boa, tal como a primeira.
Li no Substack e gostei
Esqueço-me de mim, um poema da marta gouveia
Não podes ser feminista e chamares-te Henrique Raposo, escrito pelo André Carvalho dos Santos
Ser mãe é uma péssima ideia, escrito pela Quadripolaridades
Haja o que houver, escrito pela Sónia. Gostarmos do que houver às vezes é muito bom.
Se quiser apoiar o meu projeto de escrita pode comprar o meu livro Máquina de escrever.
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Existir é uma grande coisa para se fazer, Cátia. Das mais recomendáveis, diria, ihihi. Falando em recomendações, obrigada pela partilha! ❤️
Dois cus!!! Que raridade. Já tenho ouvido comentários críticos ou elogiativos sobre tal tema mas dois, meu Deus, que coisa extraordinária! É o que se pode denominar como uma característica “BI-CUDA”.